A ARTE DE ESTUDAR ERRADO…

A ARTE DE ESTUDAR ERRADO…..

Meus amigos, muitos músicos estudam todos os dias e alguns mais de horas e horas e o tempo passa…e nada acontece de bom….até o som fica bom, mas somente isso melhora e o resto ?

Porque a técnica do músico não melhora ?

Porque alguns músicos tem mais técnica do que outros e em vários instrumentos ele toca bem e nem chega a estudar 5% em relação a outros músicos ?

Tocar algo errando todos os dias faz o músico aprimorar este erro , a ponto de ter um erro espetacular !

É SOBRE ISSO QUE EU QUERO FALAR COM VOCÊS !

COMO ESTUDAR e principalmente O QUE ESTUDAR !

ANTES DE FALAR SOBRE ISSO COM VOCÊS É PRECISO QUE LEIAM TODO O TEXTO ABAIXO ,para que possam entender algumas coisas que acontecem com os artistas desde os primórdios ok

EU NÃO GASTEI MEU TEMPO A TOA COLOCANDO ESTES TEXTOS A BAIXO PARA ENCHER LINGUÍÇA ,COLOQUEI POIS COMO EDUCADOR SEI A IMPORTANCIA DE ENTENDER ALGUNS PROCESSOS EM NOSSO ORGANISMO E SUA INFLUENCIA NO SUCESSO DO MÚSICO .

Se você não tiver tempo para ler todo o texto, então nem escreva nada nesta postagem ok Quando você ler TODO O TEXTO ai sim vamos poder conversar a respeito e vai entender muitas e muitas coisas e entender porque os mestres de artes marciais fazem os movimentos tão lentamente para depois fazerem tão rápido e sem dificuldades .

Abrs e boa leitura ok

Ivan Meyer

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Meus queridos amigos do forum, muitos desconhecem porque precisamos estudar LENTAMENTE e também o processo da formação das Snapse que é importantíssimo para nosso desenvoplvimento smile.gif

PORQUE DEVEMOS ESTUDAR LENTO E DEPOIS IR AUMENTRANDO GRADATIVAMENTE A VELOCIDADE ?

PORQUE É TÃO IMPORTANTE REPETIR,REPETIR,REPETIR ,REPETIOR E REPETIR REPETIR E REPETIR…NA VIDA DE UM MÚSICO ?

Gostaria muito que os doutores e estudiosos sobre este assunto pudesse nos dar uma visão , traduzida na linguagem dos músicos sobre a importancia da snapses na formação de um músico e principalmente quais as ferramentas para formação das snapses smile.gif

Para quem não sabe o que é snapses, DA UMA LIDA EM TUDO ABAIXO ANTES DE VER AS RESPOSTAS E EXPLICAÇÕES DE NOSSOS ESTUDIOSOS SOBRE O ASSUNTO OK

NÃO FIQUE COM PREGUIÇA E LEIA OK

Abrs

Ivan Meyer

É sustentável a idéia de que em música, a alegria e a tristeza estejam associadas a duas propriedades estruturais: andamento (o número de batidas por minuto) e o modo (a organização específica de intervalos construídos sobre uma escala usada para definir o tom de uma música). Mais especificamente, andamentos rápidos tendem a evocar músicas alegres e andamentos lentos tendem a evocar músicas tristes. Similarmente, o modo maior está associado à alegria e o modo menor está associado à tristeza (Dalla Bella et. al., 2001). Além disso, o modo maior, de acordo com a hierarquia harmônica ocidental, é tido como sendo mais consonante de que o modo menor (Peretz & Gagnon, 2003).

Estudos ligando musica e emoção tem primeiramente focado suas atenções nas emoções dos ouvintes perante músicas de suas próprias culturas. Essa sensibilidade pode refletir o processo de aquisição de cultura e adaptação às convenções de um sistema cultural tonal próprio. No entanto, isso pode também refletir as relações às dimensões psicofísicas do som que são independentes da experiência musical. Uma maneira de se estudar a percepção da musica é proposto de modo a considerar a emoção como uma combinação de fatores culturais e universais compartilhados por toda espécie humana (Balkwill & Thompson, 1999). Nesse estudo, os autores concluíram que ouvintes são sensíveis à emoção expressa musicalmente mesmo em sistemas tonais não familiares.

A música é aparentemente universal, sendo encontrada em toda cultura humana conhecida, estando incorporada em uma vasta gama de eventos culturais incluindo casamentos, funerais, serviços religiosos, eventos de dança e esporte. Apesar de possuir papel central na cultura humana, as origens e funções adaptativas da música continuam misteriosas (Hauser & McDermott, 2003).

Culturas diferentes possuem tradições musicais diferentes que, em muitos casos, se desenvolveram independentes umas das outras, e as características comuns entre elas fornecem evidências de limites inatos da espécie (Hauser & McDermott, 2003). O que nos sugere que, mesmo em diferentes culturas, há características universais da música (escalas, canções de ninar e instrumentos musicais antigos) que refletem adaptações de estruturas cerebrais compartilhadas pela espécie humana.

A apreciação musical, similarmente à compreensão da linguagem, parece ser o produto de uma organização cerebral especifica o que dá suporte à existência de uma rede neural músico-especifica. Algumas condições patológicas que isolam a habilidade musical do resto do sistema cognitivo dão suporte a essa idéia. Acidentes vasculares, danos traumáticos e anomalias cerebrais congênitas levam a desordens seletivas do processamento musical. A implicação da existência de tal processo especial cortical é que o cérebro humano parece ser também estruturado cuidadosamente para a música (Peretz, 2002).

No entanto, Pinker (2002), referindo-se a artes humanas em geral, diz que a arte é um subproduto de outras três adaptações: a ânsia por status, o prazer estético de vivenciar objetos e ambientes adaptativos e a habilidade de elaborar artefatos para atingir os fins desejados. Desta perspectiva, a arte é uma tecnologia do prazer, como as drogas, o erotismo e a culinária refinada – um modo de purificar e concentrar estímulos prazerosos e enviá-los aos nossos sentidos. Pinker (1997) ainda nos esclarece que a música não é uma adaptação e sim uma conseqüência das propriedades naturais do sistema auditivo que é envolvido em outros propósitos.

A música não é comunicativa no sentido de compartilhar informação. Ela relaciona-se ao compartilhamento de sentimentos e experiências e na regulação do comportamento social. Em termos de sua prevalência e impacto, a música parece muito mais uma necessidade do que um “coquetel prazeroso” previsto por Pinker (Trehub, 2003).

A partir desta releitura, podemos começar a imaginar a razão pela qual a música, e as artes em geral, são tão valorizadas no mundo. Seria então a música (1) uma expressão direta de uma rede cerebral específica o que lhe daria o status de uma manifestação artística inata e até adaptativa? Ou (2) a música consiste em um acidente, um subproduto de outros sistemas cerebrais, nos quais a emoção pega carona?

Música desenvolve sinapses cerebrais

A música aplicada em forma terapêutica estimula o desenvolvimento das sinapses (região entre dois neurônios por onde passam estímulos nervosos) em bebês. Atualmente, a musicoterapeuta Suzana Brunhara, de Sorocaba, desenvolve esse trabalho numa criança de nove meses de idade, que participa das sessões acompanhada por sua mãe. “A terapia não é indicada somente para crianças portadoras de algum tipo de problema ou deficiência”, explica Suzana. “Está comprovado que a estimulação musical contribui para o desenvolvimento físico e neurológico infantil”, completa.

A música tem relação com a afetividade humana. Muitas vezes menosprezados pela sociedade contemporânea, os efeitos da prática musical nas crianças são claros e têm sido bastante estudados. Pela Universidade de Toronto (Canadá), Sandra Trehub pesquisou e comprovou um fato que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebês tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, tornam-se mais alertas. Isso explica uma crendice dos tempos das avós: colocar a criança no colo, com a cabeça encostada no lado esquerdo do tórax de quem a carrega tende a acalmá-la. Afinal, as batidas rítmicas do coração podem ser comparadas a uma doce melodia, à qual o bebê estava acostumado a ouvir já no ventre materno.

Cada vez mais, a linguagem musical tem sido apontada como uma das áreas de conhecimentos mais importantes a serem trabalhadas na Educação Infantil, ao lado da linguagem oral e escrita, do movimento, das artes visuais, da matemática e das ciências humanas e naturais. Em países com mais tradição que o Brasil no campo da educação infantil – como o Japão e alguns nórdicos -, a música exerce papel de destaque nos currículos. Nesses países, o educador tem, na sua graduação profissional, um espaço considerável dedicado à sua formação musical, inclusive com a prática de um instrumento, além do aprendizado de um grande número de canções.

Pesquisas conduzidas pela Escola de Medicina de Harvard (EUA) e da Universidade de Jena (Alemanha), revelaram que, ao comparar cérebros de músicos e não-músicos, os do primeiro grupo apresentavam maior quantidade de massa cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor. Tocar um instrumento exige muito da audição e da denominada motricidade fina das pessoas que, ao praticar o ato, estimula o cérebro a funcionar “em rede”.

A música também pode estimular a absorção de informações. O cientista búlgaro Losavov promoveu uma pesquisa na qual observou grupos de crianças em situação de aprendizagem. O grupo que estudou ouvindo música clássica obteve melhor resultado. A explicação do pesquisador é que ouvindo este tipo de música lenta, a pessoa passa do nível cerebral alfa (alerta) para o nível beta (relaxado, mas atento). Reduzindo a ciclagem cerebral, aumentam as atividades dos neurônios e as sinapses tornam-se mais rápidas, facilitando a concentração e a aprendizagem.

SNAPSES DAS SINFONIAS

Livro de estreia de Daniel Levitin usa as neurociências para explicar como nossos cérebros reagem à música – Resenha por Danilo Albergaria (Revista ComCiencia)

O maestro e compositor estadunidense Leonard Bernstein, que tinha um profundo interesse nas relações entre música e linguagem, gostava de reafirmar o poder metafórico da música, um instrumento para a tentativa humana de nomear o que não pode ter nome e conhecer o insondável. Numa de suas famosas palestras nos anos 1970, em Harvard, disse que “a música tem o poder da expressividade e o ser humano tem a capacidade inata de responder a ela”. Quase quatro décadas depois, a ânsia por entender nossa relação com a música se mantém intacta, mas incorpora agora os avanços das neurociências, que criaram ainda mais questões: como funciona o nosso cérebro quando estimulado pela música? Como se dá nossa compreensão dos estímulos musicais? Como nosso cérebro desenvolve a música? Por que nós, humanos, a criamos? Essas e outras perguntas são o assunto do livro This is your brain on music: the science of a human obsession, do músico e neurocientista Daniel Levitin.

Antes de tornar-se pesquisador e professor da Universidade McGill de Montreal, Levitin teve uma vida voltada para a música. Quando a carreira profissional de guitarrista de uma banda de rock não decolou, Levitin foi trabalhar em estúdios de música e acabou passando uma década de sua vida como produtor de discos na Califórnia. O contato com músicos talentosos e o conhecimento adquirido nesse relacionamento levaram Levitin a se questionar sobre a origem da criatividade e da percepção musical. A curiosidade levou-o a frequentar aulas de psicologia cognitiva e a eleger o estudo do cérebro humano como o campo mais fértil para encontrar suas respostas. Hoje, conduz pesquisas em neurociência da música num laboratório que leva seu nome.

This is your brain on music é a primeira incursão de Levitin na literatura de divulgação científica. Voltado para o público leigo, o livro prima por uma linguagem muito acessível, bem-humorada e recheada de analogias que facilitam a compreensão. Ao mesmo tempo em que o livro é direcionado para a popularização da ciência, há também uma preocupação (que corresponde a boa parte do livro) em descomplicar conceitos da teoria musical. O resultado é uma obra fácil, que consegue capturar o leitor mesmo tratando de assuntos complicados de áreas tão aparentemente distantes como neurologia cognitiva e música.

Os primeiros capítulos, especialmente o primeiro, contêm um pequeno curso de teoria musical. Conceitos como nota, timbre, harmonia, melodia, tempo e ritmo, são apresentados com muita clareza para quem não possui qualquer educação formal sobre música (caso deste resenhista). Como Levitin aponta, as sociedades ocidentais inauguraram a tendência, hoje bastante acentuada, em separar de maneira bastante clara aqueles que fazem música daqueles que pagam para desfrutá-la. Essa é uma situação muito diferente da maioria das sociedades humanas que já existiram: a música é parte integrante das relações sociais e todos dela participam ativamente. Levitin vai mais longe e afirma que nenhuma cultura humana deixou de ter música: ela é uma capacidade universal entre os seres humanos.

O livro fica realmente interessante quando começa a entrar no assunto prometido: a relação entre a mente humana, a fisiologia do cérebro e a música. Esta, aliás, não existe no mundo, mas nos nossos cérebros. Da mesma forma que toda a nossa percepção da realidade é guiada por representações (ou seja, ela não é uma expressão fiel, exata e cristalina do mundo exterior), a música é uma representação mental da captação, pelo tímpano, de estímulos das perturbações acústicas na atmosfera. Levitin se refere, em determinado momento, à noção de ilusão da estrutura musical. Não há nada, ele argumenta, em notas, acordes ou escalas que carreguem intrinsecamente algum significado ou sentimento.

Isso não quer dizer que tudo seja arbitrariedade na música, na relação entre o cérebro humano e as diferentes vibrações sonoras que perfazem as notas e escalas musicais. A música, lembra Levitin, é algo relacional. O que faz a música é a relação entre os tons estabelecidos. O que é arbitrário é a definição de uma determinada nota, mas não de todas elas num sistema. Não existe lógica que justifique, digamos, Ré ser este som com esta determinada frequência que reconhecemos. Ré (ou B, ou qualquer outra representação) poderia estar em qualquer lugar no intervalo entre ele e o próximo tom. Mas, uma vez fixado o tom, o estabelecimento de outros tons (outras frequências sonoras) deve estar relacionado à frequência daquele primeiro tom, aumentando ou diminuindo sua frequência de acordo com uma relação proporcional.

Dito isso, ao longo do livro Levitin faz algumas considerações no mínimo intrigantes. Por exemplo, a de que há evidências de que o cérebro reage a harmonias com disparos neurológicos sincronizados. Os neurônios respondem a cada elemento da harmonia sincronizando seus disparos elétricos, criando uma coerência neurológica para esses sons combinados. Outro: intervalos sonoros consonantes e dissonantes são reconhecidos pelas estruturas mais primitivas do cérebro (que compartilhamos com todos os outros vertebrados), sem que tal sensação sequer passe pelo córtex.

De qualquer maneira, This is your brain on music mostra um maior interesse no conhecimento da relação da música com o fenômeno da mente e com o processo cognitivo do que com o cérebro em si mesmo. A estrutura fisiológica do cérebro só é realmente relevante, para Levitin, quando permite iluminar alguns dos problemas relacionados ao funcionamento da psiquê humana imersa em música.

A fisiologia do cérebro explicaria, por exemplo, como chegamos à ilusão que ordena e estrutura uma sequência de sons. Para explicar a correspondência entre estrutura cerebral e estrutura musical, Levitin traça uma analogia interessante com as ideias do linguista Noam Chomsky, que apontam para nossa capacidade cerebral inata de entender qualquer língua, pois cérebro e linguagem evoluíram lado a lado. Levitin argumenta que, do mesmo modo, nosso cérebro tem a capacidade inata de compreender qualquer tipo de música. A exposição a determinada música (ou linguagem) nos primeiros anos de vida forma uma rede de circuitos neurais, correspondente à nossa mais profunda formação musical. Esta, de certa maneira, seria responsável pela formação de nossa expectativa com relação a determinados padrões e escalas – e um resultado melhor ou pior de expressividade musical seria determinado pelo quão habilmente um compositor atende e frustra essas expectativas.

Uma ressalva desse pensamento é que o cérebro continua a desenvolver novas redes neurais (mesmo na fase adulta, só que em muito menor escala), de acordo com a experiência do indivíduo. Outra ressalva por parte de Levitin é a de que música e linguagem são faculdades cerebrais independentes. O autor cita exemplos de pessoas que, tendo sofrido algum tipo de dano cerebral, perderam a capacidade de operar com a música, enquanto a linguagem se manteve intacta, e vice-versa. Levitin aponta para a hipótese de que ambas dividam os mesmos recursos cerebrais, mas utilizem caminhos diversos na rede neural.

Por fim, o último capítulo do livro é o mais especulativo de todos. É uma resposta do autor para estudiosos da psicologia cognitiva, como Steven Pinker, que desconsideram a música como elemento central na evolução humana, tratando-a como um acidente entre outros elementos evolutivamente mais importantes, como a linguagem. Levitin levanta algumas hipóteses para a importância evolutiva da música, desde seu valor como amostra da criatividade (e melhores genes) na seleção sexual, até um possível papel como facilitadora do surgimento da própria linguagem. Apesar de Levitin não concluir com nenhum argumento forte contra as objeções de pensadores como Pinker, ninguém disputa o efeito de imenso prazer que o sentido estético de uma boa música desperta na mente de todos os seres humanos.

This is your brain on music: the science of a human obsession

Daniel Levitin

Penguim Books, 2006, 316 páginas

Fonte: http://www.comciencia.br/comciencia/?secti…mp;tipo=resenha

Jazz: loucura e criatividade

Miles Davis tinha alucinações e delírios paranóicos, abusava de drogas (álcool, barbitúricos, heroína e cocaína), teve diversos relacionamentos sexuais, alguns deles simultaneamente, gostava de participar de orgias e praticar voyerismo. Ele, Chet Baker e Scott La Faro eram loucos por emoções fortes e adoravam carros velozes. Theolonious Monk também usava diferentes tipos de drogas, passava dias sem dormir andando de um lado para outro aparentemente sem reconhecer ninguém. Bud Powell foi diagnosticado como esquizofrênico, sofreu diversas internações em hospitais psiquiátricos, uma delas por dez meses. Charles Mingus e Oscar Pettiford eram irascíveis e megalomaníacos. Mingus ainda apresentava traços de paranóia. Paul Desmond e Bill Evans tinham baixa auto-estima, remorsos, sentimentos de culpa e uma visão pessimista do mundo. Desmond sofria de alcoolismo, Evans era dependente de cocaína. Todos eles foram músicos geniais do período clássico do jazz moderno americano (1945 – 1960) e sofriam de algum tipo de transtorno psíquico.

As informações são de uma pesquisa publicada no British Journal of Psichiatry e indicada via twitter pelo psiquiatra Daniel Barros . Bom, a publicação é de 2003, mas como os dois temas, jazz e transtornos mentais, não têm data (além do fato que adoro jazz) resolvi trazê-la aqui. A investigação foi conduzida por Geoffrey I. Mills, doutor em psicologia e pesquisador da Universidade Manchester, na Inglaterra, que pretendia estudar a incidência de distúrbios mentais num grupo de jazzistas americanos. Mills usou como ponto de partida outras pesquisas que relacionavam criatividade a transtornos afetivos e até apontavam a possibilidade de uma psicopatologia atuar como elemento vital do processo criativo.

O alvo de Mills foram 40 grandes músicos de jazz, de quem ele analisou dados biográficos coletados em revistas e livros para buscar de evidências de psicopatologias que se encaixassem nos critérios do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais , publicado pela Associação Psiquiátrica Americana). Os resultados (veja abaixo), segundo o autor, são similares aos já identificados em pesquisas semelhantes feitas em grupos que atuam em profissões artísticas ou criativas e tendem a confirmar, ainda de acordo com Mills, a conexão entre transtornos de humor e pessoas criativas.

Dos 40 músicos de jazz pesquisados:

10% (4) tinham histórico de transtornos psiquiátricos na família

17,5% (7) tiveram infância instável ou infeliz

52,5% (21) foram viciados em heroína durante algum periodo da vida.

27,5 (11) eram dependentes de álcool e 15% (6) abusavam de álcool

8% (3) eram dependentes de cocaína

8% (3) tinham transtornos psicóticos

28,5% (11) tinham transtornos de humor

5% (2) apresentavam transtorno de ansiedade

17,5% (7) tinham tendências de busca de sensação como desinibição, busca por emoções fortes e aventuras, relacionados ao transtorno de personalidade borderline.

2 cometeram suicídio (J.J. Johnson e Frank Rosolino)

Para mim, com transtornos ou sem, são todos geniais.

Referências:

DALLA BELLA, S. et Al. Development of the Happy-Sad Distinction in Music Appreciation – Does tempo emerge earlier than mode? Annals of New York Academy of Sciences. n.930, p.436-438, 2001.

PERETZ I.; GAGNON L. Mode and tempo relative to “happy-sad” judgements in equitone melodies. Cognition and Emotion, v. 17, n.1, p.25-40, 2003.

BALKWILL, L.L., THOMPSON, W.F. (1999) A cross-cultural investigation of the perception of emotion in music: Psychophysical and cultural cues. Music Perception. 17 (1): 43-64.

HAUSER, M.D., MCDERMOTT, J. (2003) The evolution of the music faculty: a comparative perspective. Nature Neuroscience, 6 (7): 663-668. Jul. 2003

PERETZ, I. (2002). Brain specialized for music. The Neuroscientist. 4(cool.gif: 374-382.

PINKER, S. (1997) Como a mente funciona. 2° Ed. Tradução Laura Pereira Motta. Companhia das Letras. São Paulo. 2004.

PINKER, S. (2002) Tábula Rasa: a negação contemporânea da natureza humana. 1º Ed. Tradução: Laura Pereira Motta. Companhia da Letras. São Paulo. 2004.

TREHUB, S. E. (2003). The developmental origins of musicality. Nature Neuroscience. 7(6):669-673.

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